sábado, julho 13, 2013

A provocação de Jesus: “Um Deus-samaritano”

Padre José Assis

O Evangelho de São Lucas que escutamos neste domingo, “a parábola do bom samaritano” (cf. Lc 10, 25-37) é uma das narrações mais majestosas do Novo Testamento e em particular deste evangelho; um caminho de conduta para os seguidores de Cristo. Uma narração que só podia ter saído dos lábios de Jesus, ainda que Lucas a situe junto a um diálogo com o escriba que quer uma resposta “jurídica”, que pretende algo impossível quer uma garantia da vida eterna, da salvação e quer que Jesus lhe aponte exatamente o que deve fazer para isso.
A pedagogia de Jesus mais uma vez se revela através da narração de uma parábola. O evangelista Lucas diz que um escriba dirigiu a seguinte pergunta a Jesus: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (v.25) para provocar Jesus e para testá-lo. Sabendo a resposta que a escritura dá a esta pergunta, ele quer saber o que este jovem mestre e profeta da Galileia, sem estudo, dirá a este respeito.
Quem lê ou escuta esta parábola inevitavelmente se sente provocado, interpelado: e eu, com que personagem me identifico? Mas, o próprio conteúdo da parábola também é provocador pelos próprios personagens que Jesus escolheu: um sacerdote, um levita e um samaritano. O samaritano é como um estrangeiro para o judeu daquela época. O sacerdote e o levita, mestre da Lei, que interroga Jesus justificam sua conduta com vários pretextos e põe à prova Jesus. Vai ser o samaritano quem mostrará ao vivo o rosto do amor misericordioso de Deus.
Tudo é muito provocador e para os judeus devotos daquele tempo “um escândalo!” Comparar um sacerdote, um levita, ou um letrado, com um samaritano era fortemente pejorativo. Os samaritanos eram considerados como hereges e alijados do culto a Deus que se centrava no templo de Jerusalém. Sem duvida, o interlocutor que iniciou o diálogo com Jesus sentiu-se ofendido pela comparação.
A tradição cristã nos revelou que Jesus havia definido que a Lei se resumia em amar a Deus e ao próximo em uma mesma experiência de amor. Não é distinto o amor a Deus do amor ao próximo, mesmo que, Deus seja Deus e nós criaturas. Mas o escriba, que tinha uma concepção da Lei demasiado legalista, quer precisar o que não se pode precisar: Quem é meu próximo, a quem devo amar em concreto? Aqui é onde a parábola começa a converter-se em contradição com uma mentalidade absurda e puritana.
Voltemos à pergunta do letrado: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” “O Senhor remete-o simplesmente para a Escritura, que ele conhece, e deixa que o próprio escriba dê a resposta. O escriba o faz de um modo muito preciso, numa ligação do Deuteronômio 6,5, com o Levítico, 19,18: ‘Tu deves amar o Senhor teu Deus com todo o coração, com todas as tuas forças e com todos os teus pensamentos, e: deves amar o teu próximo como a ti mesmo’. ‘Quem é, então, o próximo’? A esta pergunta tão concreta, Jesus responde então com a parábola do homem que caiu nas mãos dos ladrões no caminho que vai de Jerusalém para Jericó e que foi abandonado saqueado e quase morto ao lado da estrada. Esta era uma história absolutamente real, visto que ao longo daquele caminho aconteciam regularmente assaltos como este. Um sacerdote e um levita – conhecedores da Lei, que conheciam a questão da salvação e que a serviam por profissão – passam por ali e não prestam atenção no ocorrido... VEJA MAIS AQUI

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